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Eu sou de aquário, e isso não é um mapa astral.

Eu sou de aquário.

O signo que me denomina livre, autêntica, antenada com as novidades, desligada das pessoas e dos sentimentos, inovadora, teimosa, orgulhosa e provavelmente mais um monte de adjetivos. O signo dos amores não eternos, da frieza, da espontaneidade e sinceridade, do olhar crítico e sonhador, dos que “não se contentam com a realidade“.

Somos pássaros que querem voar livres, para longe, numa tentativa desesperada de querer correr quando na verdade se está fugindo.

Eu não sou uma aquariana que se limita a 40 linhas sobre um mapa astral que deveria me descrever. Eu sou uma aquariana que nem livros, bibliotecas, enciclopédias, filmes, séries ou até mesmo eu consigo decifrar.

Eu sou uma aquariana. Nasci no calor do momento (literalmente, afinal, nasci no verão) e gosto de viver momentos, não me contento com coexistir quando eu nasci para existir!

Considerada por muitos a pior casa do zodíaco pelo simples fato de que eu sou (ou deveria ser) desprendida. Se apegar a um aquariano? Impossível! Eles não se apaixonam, certo? Errado.

Não confunda nosso desapego com desinteresse, nossa incapacidade de se prender com a incapacidade de se entregar.

Sou intensa! Meio não me basta, pouco não me interessa. Não me encanto com coisas que poderiam ser mas não são… Não sigo um vertente que não me permita olhar, sentir, analisar e compactuar com outras. Não sou radicalista embora isso tudo soe radical.

Me prenda e eu voarei, me deixe pousar e eu ficarei, feito borboleta na primavera, feito pássaros selvagens que jamais serão felizes em gaiolas.

Gosto da emoção e da aventura de poder escolher quem eu não serei mas jamais escolher quem eu serei, gosto de olhar para o futuro e enxergar nele um mar de possibilidades e não de limitações!

Machado de Assis escreveu “Memórias Póstumas de Brás Cubas“, eu li e achei incrível. Mas sinceramente? Não podemos nos embasar por aquela história. O personagem consegue narrar e contar como viveu, o que aprendeu, o que se tornou, o que queria ter se tornado… Mas a verdade é que as nossas memórias póstumas não estão em nós, aqui. Estão lá, bem lá, lá nos outros… Entende? Passamos uma vida inteira construindo ideais, caminhos, sentimentos, vivências, fazendo acontecer e deixando rastros, que não cabem a nós serem narrados. Somos meros protagonistas que escrevem suas histórias mas que não devem parar no tempo para lê-las. Quando morremos as coisas continuam acontecendo, como se você nunca tivesse existido, mas você existiu e tocou algo ou alguém… Você deixou sua eterna marca em um lugar de caos. Na vida, nas memórias, nos sentimentos alheios. O fato é que não devemos nos preocupar com o resultado final de uma história que estamos construindo, devemos vivê-la com intensidade e deixar para os observadores passivos e ativos (no caso, quem nos cerca e passa por nossas vidas) que decidam querer participar, narrar ou ignorar toda essa bagunça.

E nós pensamos assim, nós vivemos assim! Pelo menos eu, uma aquariana desacreditada em boas partes, acredito nisso.

Talvez não queira me apegar a alguém tão fácil, me entregar assim do nada mas se, por obra do destino, eu for com a sua cara e nossas mentes se ligarem na mesma sincronia… Ah meu bem, eu não pensarei em outra coisa senão escrever uma história ao seu lado!

Seus defeitos serão aprendizados que eu absorverei de maneira abstrata, suas qualidades serão os adjetivos que usarei para te pintar para um amigo e eu serei sua. Por agora. Aqui. No amanhã eu já não sei e a verdade é que também pouco importa. Como diria Augustus Waters, do clássico infanto juvenil “A culpa é das estrelas“, entre 0 e 1 existe uma possibilidade de infinitos… Tem o 0.01, 0.02, 0.03… Tem também o 0.001, 0.002, 0.003… Entende? O nosso infinito pode durar cerca de um mês, mas olha só que bom que durou um infinito! E eu posso afirmar como boa aquariana que eu sou: eu fui intensa e você marcou a minha vida. Seja de uma maneira positiva, seja de maneira negativa eu posso lhe garantir que eu transformei tudo que vivemos em um aprendizado sobre como o mundo é, sobre como as pessoas são, sobre como cada ser humano é um universo a parte incrivelmente pronto para ser desvendado.

Ah, os aquarianos… A casa do zodíaco mais doida que você poderia conhecer, eu mesma, a aquariana do rolê, não entendo e nem sei se consigo acreditar que somos iguais. Mas sei o que eu sou, ou melhor, o que não quero ser: uma delimitação astrológica entre um mar de possibilidades e experiências inéditas!

(Ajuda textual: Vitor Balciunas e Yara Rodrigues)
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Eu não preciso me apaixonar por você, embora eu goste de quem você é.

Uns dias atrás comecei a conversar com um rapaz… Um doce de pessoa! Engraçado, curtia o que eu curtia. Passávamos horas argumentando e comentando e pensando. Passávamos dias entre bate papos duradouros e conversas profundas, e, francamente, eu gostava disso.

Comecei a me questionar se eu gostava da pessoa que me fazia companhia, ou do menino que, querendo ou não, tinha lá suas qualidades.

Ele era uma pessoa maravilhosa, encantadora em diversos níveis! Mas eu não estava apaixonada e depois de muito me cobrar um sentimento que não existia foi que eu percebi que está tudo bem em você não se apaixonar. Aliás, está tudo mais do que bem! Está ótimo!

Eu não preciso me forçar a ter um sentimento que não eu não possuo! Eu não preciso ter que conversar com você para alimentar um faísca de paixão em mim. Se ela, por ventura, nasceu em ti, o que eu preciso (mas por questão de sinceridade e talvez simpatia) é te contar o que eu sinto e não alimentar uma falsa esperança em você. Sabe eu não preciso, também, me desculpar ou me sentir mal por você sentir algo e eu não.

A reciprocidade é linda, é incrível! Mas nem sempre é real. Eu queria, e como queria, conseguir gostar de todos que eu penso “poxa, esse vale a pena!“, mas o meu cérebro (ou talvez meu coração que ainda não saiu da época tumblr) gosta muito de ser imprevisível.

A questão é que embora tudo conspire ao nosso favor isso não significa que tem que acontecer. Eu gosto de acreditar que as pessoas passam pela nossas vidas para nos deixar alguma marca ou algum aprendizado e isso não é necessariamente o sinônimo de “vamos construir um longo caminho juntos“. Talvez você passe pela minha vida para dar um bom dia no ponto de ônibus (isso já deu um significado), talvez para me entregar um folheto na rua (mais um significado na minha vida) ou talvez para conversarmos sobre tudo e mais um pouco (outra coisa incrível).

Eu cansei desse papo de que tudo tem uma segunda intenção, cansei de ouvir que curtidas significam amores, que conversas significam promessas apaixonadas e que tudo é uma eterna tentativa de um felizes para sempre.

As coisas podem seguir para uma amizade, as coisas podem seguir para um “ranço”. Mas nós nunca saberemos previamente.

Eu não preciso me apaixonar por você, embora eu goste de quem você é.

Existem diversas formas de amar, de sentir, de gostar. E, cá entre nós, eu só preciso ser honesta com você, mas não posso me forçar a sentir o que eu não sinto. E você também não!

Você é eternamente responsável por aquilo que cativas” deveria vir com um complemento de “você é eternamente responsável também por aquilo que se permite sentir, desde que seja honesto com você e com quem mais for preciso“.

Não é fácil e ninguém está aqui para dizer que seria, mas quem sabe com o tempo a gente caminhe em direção a um lugar onde todos passem a entender que a reciprocidade só é bem vinda quando é genuína e não forçada. Talvez sejam os romances, talvez sejam as comédias do cinema… Mas o fato é que estamos mal acostumados com todo esse lance de “eu gosto dele, ele tem que gostar de mim também!“, lembre-se que a friendzone não existe. Ela é só um lugar onde você se permitiu se colocar! Se a outra pessoa não gosta de você, cara, bola pra a frente! Segue a amizade se der, come um pote de sorvete se for preciso mas vai atrás de um amor que te queira como você também quer.

E se eu não posso ser essa pessoa, pelo menos não nesse momento, você precisa entender que está tudo bem. Porque de verdade está, e as coisas vão dar certo. Ou pelo menos eu gosto de pensar assim…

Então ei, @, vai buscar o que você merece que de migalhas ninguém vive, e eu não quero ser a pessoa que alimenta com pouco. Combinado?

(Revisão do texto: Yara Rodrigues)

A nostalgia que está em nós

Eu sou uma pessoa nostálgica.

Daquelas que adora pegar um álbum de fotos, respirar fundo e dizer “Quanto tempo! Parece que foi ontem!“. Daquelas, chatas, que não pode ver uma criança crescer sem por a mão no peito e repetir, incrédula, o quanto ela cresceu, o quanto o tempo passa e como estou ficando velha.

Não sai da casa dos 20, mas segundo as minhas contas, logo menos estarei na dos 30 e, Deus que me livre, não ter aproveitado bem essas memórias!

O grande problema é que eu vivo de passados. Eu vivo lembrando e relembrando, sentindo e revivendo o que já foi… Um amor que superei, uma festa que eu fui, uma tarde na casa de alguma amiga. Eu ancorei ali, no passado. Ancorei na tardes de sexta que eu chegava mais cedo da escola e ia para casa de alguma amiga comer pipoca e falar no MSN até escurecer. Ancorei na fase dos celulares que abriam e fechavam, dos desenhos na hora do almoço e das madrugadas lendo textos no Tumblr. Parei, estagnei entre os 11  e 15 anos. Bem ali, no nono ano (a antiga oitava série). Naquele ano do frio na barriga com medo do ensino médio, mas com a alegria de ainda estar no fundamental. Das broncas dos professores de matemática, ou das nomeadas “tias do pátio”. Aquela fase de excursão para Playcenter (Lembram desse parque? Quem é de São Paulo com certeza lembra), nossa, encher a bolsa de salgadinhos, mini bolachas (repito, sou de São Paulo, é bolacha SIM), algumas balas e muitas músicas irritantes para o motorista sentir vontade de jogar o ônibus contra o poste. A fase das bochechas coradas por que alguém muito estúpido começou um “com quem será” e a sua paixãozinha platônica um ano mais velha que você esta naquela festinha de aniversário repleta de bala de coco com papel colorido e bexigão.

Alguma coisa me prendeu ali, bem ali. Entre a certeza de “Não sou mais uma criança mãe!” e o “será que posso dormir na casa de fulana hoje?“.

Você se lembra de quando falávamos que em 2012 o mundo ia acabar? E que naquele ano todo mundo quis aproveitar como se realmente fosse o último?

Teve uma vez, acho que foi em 2012 mesmo, que em uma daquelas tardes que eu disse que ficava na casa de uma amiga, a gente começou a imaginar como seria o futuro. Ficamos com medo de imaginar que nossa amizade iria acabar, mas ficamos encantadas com o fato de que ali alguns anos seríamos adultas. ADULTAS. Caraca, que incrível! Imagina só, dinheiro, carro, um apê só meu, poder entrar em qualquer balada… Ah, e eu também iria deixar minha cama bagunçada e jamais iria lavar a louça todos os dias. “Chega de ser criança!” dizíamos. “Quero logo é ser adulta!“.  Coitadas. 

São tantas lembranças, tantos risos. Ainda me pego olhando através da janela do ônibus, relembrando algumas histórias e sorrindo. Ainda leio e releio alguns bilhetes e diários de dez anos atrás. Ah, se as crianças de hoje em dia soubessem como são sortudas por simplesmente serem crianças… Elas não sabem como essas vivências um dia serão boas memórias.

Mas aqui cabe um questionamento próprio, que entre duas estações do metrô eu fiz para mim mesma… Será que em algum lugar do mundo tem alguma criança parando de assistir desenho para se questionar se ela está aproveitando a vida dela? Ou será que ela está simplesmente vivendo, deixando acontecer para que depois seja memorável?

Há 10 anos atrás, eu não queria saber de memórias, afinal, eu não estava nem aí para elas! Eu vivia cada dia, cada sorriso, cada lágrima… Eu senti cada emoção.

Na época de pique esconde, eu me escondia na viela escura e esperava até a hora de salvar o grupo.

Na época de sair sozinha, com as minhas amigas, eu saí e fiz ser incrível. Curti cada momento daquela sensação de independência que os meus 11 anos me trazia.

Na época dos textos do Tumblr, eu escrevi bons textos (eu pelo menos acho que eram bons).

Meu primeiro beijo, um pouco desengonçado, se tornou inesquecível…

Dançar as músicas de Rebelde e sonhar, pretensiosamente, que eu era Roberta, foi humilhantemente incrível.

A primeira vez que dirigi um carro, ou a terceira que eu esqueci de mudar a marcha… Ainda estão frescas na minha memória e com certeza na do meu pai que ficou assustado.

A vigésima vez que eu ouvi minha amiga falar do namorado dela.

O quinto currículo que eu enviei.

A décima vez que me perdi no metrô da Sé.

O quarto diário que eu comprei, tentando anotar todas essas coisas…

Cada uma das minhas mais sinceras lembranças são, em sua maioria, momentos que eu deixei acontecer sem querer controlar. Sem ter aquele pesar de que está tudo mudando, que nada mais está sendo como era antes…

O tempo passa. As coisas acontecem. É tic-tac atrás de tic-tac! E eu nunca fui fã de relógios ou calendários.

A vida acontece no presente, as coisas são como são e o tempo passa. Pensar no ontem não te poupa do seu hoje, só te faz mais infeliz no seu amanhã.

Tentar controlar o tempo nunca foi uma boa medida… E eu não estou falando isso só para você não. Estou falando para mim. Nesse exato momento que escrevo essas palavras, dou um tapa em minha cara como quem diz “escute meus conselhos mocinha“.

Eu tenho que viver o hoje, o agora. Para que depois eu possa curtir cada detalhe do que estou fazendo. É incrível a capacidade que temos de não termos a capacidade de mudar nada do tempo. Confuso? Muito. Mas eu bem que entendi.

Só quero dizer que, embora nostálgica e muito “drama queen“, eu tenho que cortar esse cordão umbilical que me prende a uma versão minha que não existe mais.

E bom, o que tem que ser feito… Será feito.

Certo?