PARA QUE TODOS OS DIAS RUINS VIREM BONS!

Há dias que quando chega a noite a gente só consegue pensar “eu definitivamente não deveria ter saído da cama hoje”.

Sabe aqueles dias que tudo parece dar errado? O despertador atrasa, sua camiseta favorita está rasgada, seu cabelo não colabora, você não consegue tomar café da manhã, o ônibus quebra no meio do caminho e de brinde, vêm aquela chuva inesperada. Nessas horas você olha para o céu, respira fundo e tenta se convencer de que nada abalará seu dia. Mas já era. Tarde demais! O universo já entendeu o recado: hoje não será um dia bom e, partir desse momento é coice atrás de coice. Eu sei, parece que esses dias duram mais que o normal e que a hora de dormir (na esperança de resetar esse dia) nunca chega.

Em um desses dias da minha vida eu parei para observar e notei que eu estava insuportável. Eu sou chata sim, confesso. Mas nesse dia eu estava absurdamente intolerável! Até que recebi no grupo da família uma mensagem que dizia “O melhor dia da sua vida é hoje, por que só o hoje você pode mudar para que ele seja melhor“.  Foi aí que eu me dei conta que o dia só estava sendo pior por que eu coloquei na minha cabeça que ele iria ser o pior dia e ponto. Como que um dia bom começa dando errado? Não existe! Ou é 100% certo ou nada feito. Não aceito 90%, 70% ou 10%. Tem que ser TOTALMENTE incrível!

Estamos tão acostumados a querer que todos os dias sejam maravilhosos, que todos os dias tenham vitórias e conquistas gigantescas, que quando algo simples falha… Pronto! Acabou! “Pior dia da minha vida“. É o costume do reclamar mais que agradecer.

Tantas coisas boas aconteceram nesse meu dia infernal que eu simplesmente ofusquei com a ideia de que tudo era uma merda. Sem querer mencionar aquele clichê de que só vivemos uma vez e que precisamos absorver o máximo do mundo ao nosso redor, mas temos que focar mais no que nos faz bem, no que soma no nosso dia. Sabe? É um exercício mental muito forte e eu admiro muito quem consegue fazê-lo. Ser positivo não é uma dádiva, é treinamento. São inúmeras tentativas de tentar enxergar o melhor no mundo, nas pessoas, nas ações e nos dias. É acordar todo dia e mentalizar que aquele será um dia bom, mesmo sendo ruim em alguns momentos. É se esforçar para levantar da cama e encarar sua rotina. É aceitar que tem coisas que nós não podemos mudar e parar de sofrer por elas. É difícil, eu diria até que quase impossível de ser feito sempre. O fato é que há dias e dias, e nem todos precisam ser bons. Tem dias que são apenas “dias” e isso não é errado, está tudo bem. Você não precisa viver no país das maravilhas com dias incríveis e perfeitos para ter uma vida boa. Eu diria até que isso só iria te frustar.

Sabe aquele papo de que só se sabe o que é a luz porque um dia houve escuridão? Ou aquele de que só se valoriza um sorriso depois das lágrimas? Então, só se sabe o valor de um dia bom através de dias ruins.  Eu estou cheia de clichês hoje, não é? Eu sei. É que constantemente estamos sendo lembrados por esses clichês do tipo “a sua vida é o que você vive dela“. E eu particularmente não quero ter uma vida negativa porque eu fui negativa, ou porque eu não valorizei o que eu deveria valorizar.

Eu quero poder deitar na minha cama e pensar antes de dormir: “Esse dia foi como deveria ter sido, eu dei o meu melhor para isso“. E que daqui dez anos eu olhe satisfeita com pensamento de que fiz tudo que eu podia e foi maravilhoso. Não quero me iludir com a ideia de que tudo dará certo, porque somos feitos de falhas e erros, somos feitos de uma sequência de danos, mas quero entender que até neles há beleza, quero enxergar isso e compreender até que ponto eu dei o máximo de mim. O mundo já é muito negativo, muitas coisas ruins já acontecem constantemente ao nosso redor.  Se pelo menos a maneira de enxergar tudo que acontece fosse diferente e a nossa luta em busca “do nosso lugar ao sol” (como diria o eterno Chorão) fosse o motivo de nos fazer acordar felizes, eu acredito que seríamos mais realizados.

Pois é! E quem diria que uma mensagem da minha tia no grupo da família levantaria tal questionamento? Eu nunca duvidei do poder de um gif de gatinho.

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eu não vou me desculpar por esse textos

Eu não vou me desculpar por esse texto!

Eu tenho mania de pedir desculpas.

Conversando com um amigo, conclui isso. Ele me disse, como um conselho amistoso, “cara, você não para de se desculpar!” e, para a minha surpresa, ele estava certo.

É a mais pura verdade! Eu não canso de me desculpar por coisas que eu não deveria. Desculpas por um e-mail, por uma mensagem, por uma ligação. Desculpas por um pedido, por uma conversa, por pedir atenção. Desculpas por estar aqui, por existir, por ser quem sou. Desculpa, desculpa, desculpa!

No mínimo detalhe, na grande maioria do dia, ali está a palavrinha que eu não canso de repetir. Ela, tão presente em meu vocabulário, me diminui a nada mais que um erro. Me coloca na posição de errante constante… E, ao usá-la, eu concordo com isso.

Eu peço desculpas a todos, por tudo! Quando na verdade eu deveria pedir desculpas a mim mesma. Eu deveria olhar no espelho e gritar, com todo meu fôlego, ME PERDOA!
Eu não deveria me sentir culpada por todos os meus atos, eu não deveria me sentir diminuída por ser quem eu sou, eu não deveria menosprezar o que eu sinto, eu não deveria me colocar nessa posição de não merecedora. Eu não deveria, e você também não.

Não que eu pense que devamos ser pessoas orgulhosas demais, que acreditam que nunca estão erradas… Não é isso! Mas não acredite, também, não ser digno de nenhum orgulho.

Em um outro texto eu disse sobre como é bom ser um pouco egoísta e valorizar seus sentimentos, e hoje eu retorno esse pensamento. É preciso valorizar quem somos! E, sinceramente, isso não está errado.

Estamos muito acostumados a transformar a vida dos outros em uma experiência mágica e positiva, mas em que momento do nosso dia paramos para transformar a nossa experiência de vida em algo bom? Tratar os outros com cordialidade e respeito é ótimo! Cara, como é bom ser bem recebido, atendido e tratado. Não estou falando para que de agora em diante você saia por aí mandando todos para aquele lugar nada respeitoso. Estou apenas tentar acender na sua cabeça uma luz de ideia (que nem nos desenhos animados), onde a partir desse texto você irá pensar: Nossa! Preciso começar a me tratar melhor! Preciso começar a me colocar em uma posição melhor! Não estou fazendo nada errado, então pra quê pedir desculpas?

Quando eu errar, assumirei meus erros sim, com toda a humildade que eu tento ter (acho tão não humilde quem se auto descreve como humilde, mas você entendeu o contexto). Porém, acima de tudo, eu quero assumir quem eu sou. Quero entender que ao enviar um e-mail, eu não estou atrapalhando. Nem quando eu fizer uma ligação, ou mandar uma mensagem, ou pedir uma ajuda. Se a pessoa me deu permissão, se a pessoa não fala que esta incomodada… Então significa que eu não estou atrapalhando, ou incomodando, ou errando. A gente tenta premeditar o movimento e o pensamento do outro, quando na verdade cabe única e exclusivamente a outra pessoa dizer: “ei, pare!”. Cabe a outra pessoa não responder o e-mail que eu mandei fora do expediente, ou a dizer que estava ocupada no momento da minha ligação. Entende? Às vezes a gente tenta pensar com a cabeça do outro, e ao tentar não errar, erramos com nós mesmos.

Eu não quero ser a pessoa que vive se desculpando por nunca saber se está errada ou não! Eu não devo me desculpar por ser quem eu sou. E eu não irei. Não dessa vez.

Em outro momento eu pediria desculpas em caso dessas palavras terem soado duras demais, mas depois de argumentar em pró do orgulho próprio e de um pouco de dignidade, eu também não irei me desculpar por esse texto.
E espero, de coração, que você também não se desculpe.

Para todos aqueles dias que nós acordamos nos sentindo inúteis é preciso CORAGEM.

Você já se sentiu incapaz? Já levantou da cama, logo cedo, e pensou “não da mais”?

Você já se sentiu inútil? Olhou no espelho e afirmou “eu não sirvo para nada”?

Para todos esses dias (que não são poucos), que nós respiramos fundo e nos fazemos acreditar que não passamos de um “nada”, é preciso coragem.

Coragem para reconhecer que nem sempre tudo está ao nosso alcance, nem tudo podemos mudar. Há coisas que simplesmente são como deveriam ser, e (que difícil dizer isso) nós não iremos mudá-las.

Temos que parar de sofrer pelo irreversível. Se você fez tudo que podia e ainda assim não resolveu, beleza, não deu.

Quantas noites você terá que perder o sono para entender que nem tudo depende de você?

Eu sei, é complicado, complexo. Mas é real.

A verdade é que o mundo continua a girar, a vida continua a correr. E ninguém vai parar para perguntar se está tudo bem. Se acabou, acabou. Se foi, foi. Foque em fazer acontecer aquilo que você pode realizar, tire o peso dos seus ombros de tentar mudar o mundo todo de uma vez… E talvez a sensação de inutilidade sumirá também.

Tem gente que não te entende, tem emprego que não foi feito para você, tem faculdade que não se encaixa no que você queria… Tem amigos que te esquecem, tem namoro que não tinha que ser. E está tudo bem! De verdade, está tudo bem. As coisas não são como nós esperamos sempre, e nós temos que aceitar que às vezes parar de lutar não significa desistir.

Para desfazer um nó, você afrouxa ele. Se você colocar mais força e insistir, mais o nó ficará impossível de ser desfeito.

Desde sempre colocam em nossas cabeças que somos essenciais, mas o fato é que nada e ninguém é insubstituível. O emprego que você quer sair? Acharão alguém para o seu lugar. A faculdade que você quer trancar? As aulas continuarão. O namoro que você quer terminar? Bom, seu parceiro vai ficar bem, com o tempo ele aprende isso também.

Entende que tudo continua a existir mesmo sem você? Não, não estou tentando te fazer se sentir um nada, um pouco de poeira cósmica (embora sejamos isso). O que eu estou tentando te passar é que tem coisas que você não precisa aguentar só para suprir essa sua necessidade de se sentir útil. Às vezes a coisa mais útil que você pode fazer é não fazer. Talvez você se sinta muito melhor e completo se acordar todos os dias com um propósito que seja inteiramente seu. Nem que isso signifique acordar às 8:00 da manhã para ir correr no parque.

Deixar de fazer o seu, para fazer algo por alguém pode até soar generoso… Mas no fundo é deprimente. Não quero finalizar com um discurso egoísta, só que um pouco de egoísmo pode nos cair bem em algumas situações.

A vida é uma só. Não desperdice ela tentando fazer ou ser o que você não precisa ser e nem fazer. Compreende?

Esse é mais um daqueles textos que eu escrevi enquanto elaborava um conselho interior, olhando através da janela do ônibus e questionando a minha existência. No fundo, todas as palavras ditas aqui não passam de um puxão de orelha em mim mesma.

Eu preciso aprender a me escutar mais…

Agora eu entendi o porquê do Peter Pan nunca querer crescer… 

Eu faria tudo que eu pudesse para nunca crescer. Para nunca me tornar adulta. Mas eu não pude.

Eu cresci, como toda criança um dia irá e como todo adulto um dia desejou. E crescer foi, em sua maioria, desesperador. Foi como andar só em um dia chuvoso, como ser a ultima criança a brincar no balanço… Foi tudo de estranho que eu já havia sentido. Como o não poder brincar na rua, o não comer doce antes do almoço… Foi o tombo da bicicleta, a bronca da mãe.

Eu fui crescendo, fui desejando crescer, querendo ser livre, buscando limites e quebrando fronteiras. Fui me tornando uma pessoa grande, fui assumindo responsabilidades, fui vendo a bagunça que é o mundo, vendo o valor de um salário minimo, vendo o que é esperar o quinto dia útil e descobrindo como aquele dia pode ser maravilhosamente significativo. Paguei meu primeiro boleto, entreguei meu primeiro currículo… Eu cresci.

Mas ao mesmo tempo eu quis colo, quis abrigo. Quis abraços e quis beijinhos nos machucados. Quis aconchego e quis acordar ainda criança. Mas eu não pude, porque o tempo não corre para trás e porque todo mundo passa por isso. E talvez seja por esse motivo que ninguém considere o fato de que ser adulto não necessariamente signifique estar pronto! Ser adulto não foi, não para mim, sinônimo de sabedoria e nem o mesmo de segurança.

Meu lado saudosista assume as rédeas algumas vezes e em seu controle eu vejo as coisas um pouco mais nostálgicas. Não que crescer tenha sido de todo mal, mas é que ninguém nunca nos conta como realmente vai ser… E a gente acaba aprendendo na marra, aprendendo no dia a dia.

Eu tenho 20 anos, e podemos concordar que toda essa coisa de “gente grande” é muito nova para mim. Até alguns anos atrás eu sonhava em casar com um dos Jonas Brothers e sonhava que antes dos 25 eu estaria totalmente estabilizada, com um ótimo emprego e uma carreira de sucesso. Hoje, se me perguntam como andam meus projetos eu cruzo os braços, respiro fundo e digo “rapaz, e não é que eu nem sei por onde começar?“. Não me entenda mal, eu não estou surtando… Ok, talvez eu esteja sim. Um pouco. E talvez todo aquele lance de crise dos 20 seja tão verídico que chega a assustar.

A verdade é que todo adulto não passa de uma criança que decidiu se tornar um pouco mais segura e que anda por aí tentando acertar. Aliás, eu diria que a gente só anda tentando acertar e finge estar 100% seguro, o que de fato nós não estamos. E é tão difícil dizer adeus àquela parte nossa que diz “ei, que tal tomar sorvete nesse exato momento e depois entrar em uma piscina de bolinhas?“, é muito difícil aceitar que se jogar no chão do banco e bater perna não irá resolver seu saldo negativo, e que (pasmem!) isso não será considerado normal.

É tudo muito difícil, é tudo muito confuso! Quem foi que determinou que adultos só podem fazer coisas de adulto? Aliás, quem colocou regras em ser adulto? Depois que você cresce é esperado de você um comportamento diferente, uma postura mais séria… E eu nunca desejei isso. Eu queria ser adulta só para poder fazer as coisas de criança quando eu bem entendesse! Sem que ninguém mandasse em mim! Agora veja, eu cresci e não posso fazer as coisas de criança simplesmente por não ser mais criança. Isso não é justo! Eu ainda quero meu presente de natal, meu ovo de páscoa e meu brinquedo de dia das crianças, por favor, obrigada!

Eu não sei se foi aquele filme “De repente 30” ou se foi algo que eu criei dentro de mim, mas eu sempre imaginei os 30 anos como uma idade mágica, a idade do sucesso. E o fato de faltarem apenas 10 anos para tudo, teoricamente, dar certo e funcionar, é assustador. Há 10 anos atrás eu nem tinha noção de como as coisas eram, eu queria planejar meu casamento com o Joe Jonas e colar posters do Justin Bieber nas paredes do meu quarto devidamente pintadas de rosa e roxo, mostrando nitidamente a minha transição para uma adolescência bem engraçada que até merece um conto aqui depois…

Eu nem sei se faz sentido tudo isso que eu digo, eu só sei que todo dia quando meu depertador toca e ainda está escuro lá fora e eu sei que terei que levantar e encarar mais um dia em busca de construir meu futuro, é assustador. É complicado e muito difícil.

Eu não quero ter que saber minha profissão para o resto da vida, eu não quero ter que escolher uma única faculdade ou um único curso, eu não quero ter que trabalhar 10 horas por dia, 6 dias na semana, para no final do mês ganhar menos de mil reais. Eu não quero ficar no trânsito contando os minutos para chegar em casa, não quero ter que recolher todas as contas e torcer para o dinheiro render. Não quero sentar na mesa dos adultos, não quero que esperem de mim algo grandioso. Eu quero ser quem eu era, quero ser quem eu sou. Pode soar muito mimado da minha parte, mas que atire a primeira pedra quem nunca desejou isso…

Como diria o Pequeno Príncipe, o problema não é crescer e sim se esquecer. Esquecer da sua essência, da sua criança interior, do seu lado divertido. Saiba que é essa criança aí dentro que te faz seguir em frente, que te anima, que te motiva e que te faz sonhar. Então, que sejamos um pouco mais compreensíveis! Somos parte de uma geração de adultos que esqueceram de crescer, e isso não é de todo mal! Sente-se em frente à sua TV, coloque seu desenho favorito, tome sorvete antes do jantar e ande de pijama pela casa. Está tudo bem. Só nunca permita que matem a chama da infância que brilha dentro de você. 

E é escrevendo esse texto que agora eu entendi o porquê do Peter Pan nunca querer crescer… 

eu-sou-de-aquario

Eu sou de aquário, e isso não é um mapa astral.

Eu sou de aquário.

O signo que me denomina livre, autêntica, antenada com as novidades, desligada das pessoas e dos sentimentos, inovadora, teimosa, orgulhosa e provavelmente mais um monte de adjetivos. O signo dos amores não eternos, da frieza, da espontaneidade e sinceridade, do olhar crítico e sonhador, dos que “não se contentam com a realidade“.

Somos pássaros que querem voar livres, para longe, numa tentativa desesperada de querer correr quando na verdade se está fugindo.

Eu não sou uma aquariana que se limita a 40 linhas sobre um mapa astral que deveria me descrever. Eu sou uma aquariana que nem livros, bibliotecas, enciclopédias, filmes, séries ou até mesmo eu consigo decifrar.

Eu sou uma aquariana. Nasci no calor do momento (literalmente, afinal, nasci no verão) e gosto de viver momentos, não me contento com coexistir quando eu nasci para existir!

Considerada por muitos a pior casa do zodíaco pelo simples fato de que eu sou (ou deveria ser) desprendida. Se apegar a um aquariano? Impossível! Eles não se apaixonam, certo? Errado.

Não confunda nosso desapego com desinteresse, nossa incapacidade de se prender com a incapacidade de se entregar.

Sou intensa! Meio não me basta, pouco não me interessa. Não me encanto com coisas que poderiam ser mas não são… Não sigo um vertente que não me permita olhar, sentir, analisar e compactuar com outras. Não sou radicalista embora isso tudo soe radical.

Me prenda e eu voarei, me deixe pousar e eu ficarei, feito borboleta na primavera, feito pássaros selvagens que jamais serão felizes em gaiolas.

Gosto da emoção e da aventura de poder escolher quem eu não serei mas jamais escolher quem eu serei, gosto de olhar para o futuro e enxergar nele um mar de possibilidades e não de limitações!

Machado de Assis escreveu “Memórias Póstumas de Brás Cubas“, eu li e achei incrível. Mas sinceramente? Não podemos nos embasar por aquela história. O personagem consegue narrar e contar como viveu, o que aprendeu, o que se tornou, o que queria ter se tornado… Mas a verdade é que as nossas memórias póstumas não estão em nós, aqui. Estão lá, bem lá, lá nos outros… Entende? Passamos uma vida inteira construindo ideais, caminhos, sentimentos, vivências, fazendo acontecer e deixando rastros, que não cabem a nós serem narrados. Somos meros protagonistas que escrevem suas histórias mas que não devem parar no tempo para lê-las. Quando morremos as coisas continuam acontecendo, como se você nunca tivesse existido, mas você existiu e tocou algo ou alguém… Você deixou sua eterna marca em um lugar de caos. Na vida, nas memórias, nos sentimentos alheios. O fato é que não devemos nos preocupar com o resultado final de uma história que estamos construindo, devemos vivê-la com intensidade e deixar para os observadores passivos e ativos (no caso, quem nos cerca e passa por nossas vidas) que decidam querer participar, narrar ou ignorar toda essa bagunça.

E nós pensamos assim, nós vivemos assim! Pelo menos eu, uma aquariana desacreditada em boas partes, acredito nisso.

Talvez não queira me apegar a alguém tão fácil, me entregar assim do nada mas se, por obra do destino, eu for com a sua cara e nossas mentes se ligarem na mesma sincronia… Ah meu bem, eu não pensarei em outra coisa senão escrever uma história ao seu lado!

Seus defeitos serão aprendizados que eu absorverei de maneira abstrata, suas qualidades serão os adjetivos que usarei para te pintar para um amigo e eu serei sua. Por agora. Aqui. No amanhã eu já não sei e a verdade é que também pouco importa. Como diria Augustus Waters, do clássico infanto juvenil “A culpa é das estrelas“, entre 0 e 1 existe uma possibilidade de infinitos… Tem o 0.01, 0.02, 0.03… Tem também o 0.001, 0.002, 0.003… Entende? O nosso infinito pode durar cerca de um mês, mas olha só que bom que durou um infinito! E eu posso afirmar como boa aquariana que eu sou: eu fui intensa e você marcou a minha vida. Seja de uma maneira positiva, seja de maneira negativa eu posso lhe garantir que eu transformei tudo que vivemos em um aprendizado sobre como o mundo é, sobre como as pessoas são, sobre como cada ser humano é um universo a parte incrivelmente pronto para ser desvendado.

Ah, os aquarianos… A casa do zodíaco mais doida que você poderia conhecer, eu mesma, a aquariana do rolê, não entendo e nem sei se consigo acreditar que somos iguais. Mas sei o que eu sou, ou melhor, o que não quero ser: uma delimitação astrológica entre um mar de possibilidades e experiências inéditas!

(Ajuda textual: Vitor Balciunas e Yara Rodrigues)

Eu não preciso me apaixonar por você, embora eu goste de quem você é.

Uns dias atrás comecei a conversar com um rapaz… Um doce de pessoa! Engraçado, curtia o que eu curtia. Passávamos horas argumentando e comentando e pensando. Passávamos dias entre bate papos duradouros e conversas profundas, e, francamente, eu gostava disso.

Comecei a me questionar se eu gostava da pessoa que me fazia companhia, ou do menino que, querendo ou não, tinha lá suas qualidades.

Ele era uma pessoa maravilhosa, encantadora em diversos níveis! Mas eu não estava apaixonada e depois de muito me cobrar um sentimento que não existia foi que eu percebi que está tudo bem em você não se apaixonar. Aliás, está tudo mais do que bem! Está ótimo!

Eu não preciso me forçar a ter um sentimento que não eu não possuo! Eu não preciso ter que conversar com você para alimentar um faísca de paixão em mim. Se ela, por ventura, nasceu em ti, o que eu preciso (mas por questão de sinceridade e talvez simpatia) é te contar o que eu sinto e não alimentar uma falsa esperança em você. Sabe eu não preciso, também, me desculpar ou me sentir mal por você sentir algo e eu não.

A reciprocidade é linda, é incrível! Mas nem sempre é real. Eu queria, e como queria, conseguir gostar de todos que eu penso “poxa, esse vale a pena!“, mas o meu cérebro (ou talvez meu coração que ainda não saiu da época tumblr) gosta muito de ser imprevisível.

A questão é que embora tudo conspire ao nosso favor isso não significa que tem que acontecer. Eu gosto de acreditar que as pessoas passam pela nossas vidas para nos deixar alguma marca ou algum aprendizado e isso não é necessariamente o sinônimo de “vamos construir um longo caminho juntos“. Talvez você passe pela minha vida para dar um bom dia no ponto de ônibus (isso já deu um significado), talvez para me entregar um folheto na rua (mais um significado na minha vida) ou talvez para conversarmos sobre tudo e mais um pouco (outra coisa incrível).

Eu cansei desse papo de que tudo tem uma segunda intenção, cansei de ouvir que curtidas significam amores, que conversas significam promessas apaixonadas e que tudo é uma eterna tentativa de um felizes para sempre.

As coisas podem seguir para uma amizade, as coisas podem seguir para um “ranço”. Mas nós nunca saberemos previamente.

Eu não preciso me apaixonar por você, embora eu goste de quem você é.

Existem diversas formas de amar, de sentir, de gostar. E, cá entre nós, eu só preciso ser honesta com você, mas não posso me forçar a sentir o que eu não sinto. E você também não!

Você é eternamente responsável por aquilo que cativas” deveria vir com um complemento de “você é eternamente responsável também por aquilo que se permite sentir, desde que seja honesto com você e com quem mais for preciso“.

Não é fácil e ninguém está aqui para dizer que seria, mas quem sabe com o tempo a gente caminhe em direção a um lugar onde todos passem a entender que a reciprocidade só é bem vinda quando é genuína e não forçada. Talvez sejam os romances, talvez sejam as comédias do cinema… Mas o fato é que estamos mal acostumados com todo esse lance de “eu gosto dele, ele tem que gostar de mim também!“, lembre-se que a friendzone não existe. Ela é só um lugar onde você se permitiu se colocar! Se a outra pessoa não gosta de você, cara, bola pra a frente! Segue a amizade se der, come um pote de sorvete se for preciso mas vai atrás de um amor que te queira como você também quer.

E se eu não posso ser essa pessoa, pelo menos não nesse momento, você precisa entender que está tudo bem. Porque de verdade está, e as coisas vão dar certo. Ou pelo menos eu gosto de pensar assim…

Então ei, @, vai buscar o que você merece que de migalhas ninguém vive, e eu não quero ser a pessoa que alimenta com pouco. Combinado?

(Revisão do texto: Yara Rodrigues)

A nostalgia que está em nós

Eu sou uma pessoa nostálgica.

Daquelas que adora pegar um álbum de fotos, respirar fundo e dizer “Quanto tempo! Parece que foi ontem!“. Daquelas, chatas, que não pode ver uma criança crescer sem por a mão no peito e repetir, incrédula, o quanto ela cresceu, o quanto o tempo passa e como estou ficando velha.

Não sai da casa dos 20, mas segundo as minhas contas, logo menos estarei na dos 30 e, Deus que me livre, não ter aproveitado bem essas memórias!

O grande problema é que eu vivo de passados. Eu vivo lembrando e relembrando, sentindo e revivendo o que já foi… Um amor que superei, uma festa que eu fui, uma tarde na casa de alguma amiga. Eu ancorei ali, no passado. Ancorei na tardes de sexta que eu chegava mais cedo da escola e ia para casa de alguma amiga comer pipoca e falar no MSN até escurecer. Ancorei na fase dos celulares que abriam e fechavam, dos desenhos na hora do almoço e das madrugadas lendo textos no Tumblr. Parei, estagnei entre os 11  e 15 anos. Bem ali, no nono ano (a antiga oitava série). Naquele ano do frio na barriga com medo do ensino médio, mas com a alegria de ainda estar no fundamental. Das broncas dos professores de matemática, ou das nomeadas “tias do pátio”. Aquela fase de excursão para Playcenter (Lembram desse parque? Quem é de São Paulo com certeza lembra), nossa, encher a bolsa de salgadinhos, mini bolachas (repito, sou de São Paulo, é bolacha SIM), algumas balas e muitas músicas irritantes para o motorista sentir vontade de jogar o ônibus contra o poste. A fase das bochechas coradas por que alguém muito estúpido começou um “com quem será” e a sua paixãozinha platônica um ano mais velha que você esta naquela festinha de aniversário repleta de bala de coco com papel colorido e bexigão.

Alguma coisa me prendeu ali, bem ali. Entre a certeza de “Não sou mais uma criança mãe!” e o “será que posso dormir na casa de fulana hoje?“.

Você se lembra de quando falávamos que em 2012 o mundo ia acabar? E que naquele ano todo mundo quis aproveitar como se realmente fosse o último?

Teve uma vez, acho que foi em 2012 mesmo, que em uma daquelas tardes que eu disse que ficava na casa de uma amiga, a gente começou a imaginar como seria o futuro. Ficamos com medo de imaginar que nossa amizade iria acabar, mas ficamos encantadas com o fato de que ali alguns anos seríamos adultas. ADULTAS. Caraca, que incrível! Imagina só, dinheiro, carro, um apê só meu, poder entrar em qualquer balada… Ah, e eu também iria deixar minha cama bagunçada e jamais iria lavar a louça todos os dias. “Chega de ser criança!” dizíamos. “Quero logo é ser adulta!“.  Coitadas. 

São tantas lembranças, tantos risos. Ainda me pego olhando através da janela do ônibus, relembrando algumas histórias e sorrindo. Ainda leio e releio alguns bilhetes e diários de dez anos atrás. Ah, se as crianças de hoje em dia soubessem como são sortudas por simplesmente serem crianças… Elas não sabem como essas vivências um dia serão boas memórias.

Mas aqui cabe um questionamento próprio, que entre duas estações do metrô eu fiz para mim mesma… Será que em algum lugar do mundo tem alguma criança parando de assistir desenho para se questionar se ela está aproveitando a vida dela? Ou será que ela está simplesmente vivendo, deixando acontecer para que depois seja memorável?

Há 10 anos atrás, eu não queria saber de memórias, afinal, eu não estava nem aí para elas! Eu vivia cada dia, cada sorriso, cada lágrima… Eu senti cada emoção.

Na época de pique esconde, eu me escondia na viela escura e esperava até a hora de salvar o grupo.

Na época de sair sozinha, com as minhas amigas, eu saí e fiz ser incrível. Curti cada momento daquela sensação de independência que os meus 11 anos me trazia.

Na época dos textos do Tumblr, eu escrevi bons textos (eu pelo menos acho que eram bons).

Meu primeiro beijo, um pouco desengonçado, se tornou inesquecível…

Dançar as músicas de Rebelde e sonhar, pretensiosamente, que eu era Roberta, foi humilhantemente incrível.

A primeira vez que dirigi um carro, ou a terceira que eu esqueci de mudar a marcha… Ainda estão frescas na minha memória e com certeza na do meu pai que ficou assustado.

A vigésima vez que eu ouvi minha amiga falar do namorado dela.

O quinto currículo que eu enviei.

A décima vez que me perdi no metrô da Sé.

O quarto diário que eu comprei, tentando anotar todas essas coisas…

Cada uma das minhas mais sinceras lembranças são, em sua maioria, momentos que eu deixei acontecer sem querer controlar. Sem ter aquele pesar de que está tudo mudando, que nada mais está sendo como era antes…

O tempo passa. As coisas acontecem. É tic-tac atrás de tic-tac! E eu nunca fui fã de relógios ou calendários.

A vida acontece no presente, as coisas são como são e o tempo passa. Pensar no ontem não te poupa do seu hoje, só te faz mais infeliz no seu amanhã.

Tentar controlar o tempo nunca foi uma boa medida… E eu não estou falando isso só para você não. Estou falando para mim. Nesse exato momento que escrevo essas palavras, dou um tapa em minha cara como quem diz “escute meus conselhos mocinha“.

Eu tenho que viver o hoje, o agora. Para que depois eu possa curtir cada detalhe do que estou fazendo. É incrível a capacidade que temos de não termos a capacidade de mudar nada do tempo. Confuso? Muito. Mas eu bem que entendi.

Só quero dizer que, embora nostálgica e muito “drama queen“, eu tenho que cortar esse cordão umbilical que me prende a uma versão minha que não existe mais.

E bom, o que tem que ser feito… Será feito.

Certo?